Princípios de Ética

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terça-feira, 29 de setembro de 2015

Enfermagem e a Capelania Carcerária


Um dos primeiros sentimentos que temos ao refletir sobre a situação dos presídios é o de medo. Medo de um desconhecido sistema, que a cada dia nos aflige, porque retrata a violência, a impunidade, a vulnerabilidade em que a nossa sociedade se encontra. Outro sentimento que nos move é de obediência quando refletimos sobre as palavras do nosso Senhor Jesus: “...estive preso, e vocês me visitaram; ...o que vocês fizeram a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizeram (Mt 25.36-40)”.
A Enfermagem se faz presente em todos os seguimentos de nossa sociedade, atuando no cuidado e dignidade da vida humana, como também a vidas que se encontram encarceradas. 
Assim, apresentamos este artigo, fruto de uma pesquisa, que tem como objetivo despertar todos os Profissionais de Enfermagem sobre o papel relevante que exerce o Capelão na sociedade, profissional que atua na área do Aconselhamento, e também a ter um "olhar" diferente, delicado, sem preconceito, e acima de tudo, profissional, àquelas pessoas que se encontram presas.
  Eis a beleza da nossa profissão, cuidar de vidas, independente da situação social, econômica, e cultural!
       Segundo Silveira (2015, p.5) as prisões no Brasil, como todos podem constatar no último relatório do Ministério da Justiça, lançado no mês de junho de 2015, amontoam aproximadamente 607.000 pessoas presas; contando com os presos em prisão domiciliar, temos um total de 700.231 aprisionadas. O Brasil tem a terceira maior população carcerária do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos com 2,2 bilhões  e da China com 1.6 milhão. Enquanto a média mundial de encarceramento é de 144 presos para cada 100 mil habitantes, no Brasil o número sobe para 300. Entre janeiro de 1992 e junho de 2013, enquanto a população geral cresceu 36%, o número de pessoas presas aumentou 403,5%. Ao mesmo tempo que aumentou as prisões, disparou o número de homicídios no Brasil, como observa o Mapa da Violência 2015 – mortes matadas por armas de fogo, entre os anos de 1980 a 2012 a população teve um crescimento de 61%, as mortes matadas por arma de fogo cresceram 387%, mas entre os jovens esse percentual foi superior a 460%; entre jovens de 15 a 29 anos, esse crescimento foi ainda maior, passou de 4.415 vítimas em 1980 para 24.882 em 2012: 463,6% de aumento nos 33 anos decorridos entre as datas.
De acordo com Filho (2012, p.1) o Brasil é um país na rota do tráfico internacional de drogas, com cidades muito populosas e que não descobriu ainda o caminho da redução da criminalidade e continua acreditando, ao contrário de Nova Iorque, que a prisão é a solução.
Nascimento (2013, p.1) faz o seguinte alerta: por meio da precarização das unidades prisionais, está a política de privatização do sistema prisional, vendida como solução mágica; por trás dessa ilusão se escondem os objetivos de seguir com o encarceramento seletivo e em massa, as cadeias se tornam negócio e as pessoas presas passam a serem tratadas como mercadorias, objeto de venda e de lucro.
Para Nascimento (2013, p.2) a pessoa presa que permanece na prisão é vitima também de outra violência; vítimas da falta de estudo, de falta de trabalho, da falta de moradia, de saúde, da violência doméstica e de policiais. Vítimas da justiça que os esquece, da estrutura prisional marcada por todas as formas de violência física, moral e psicológica. É impossível que uma pessoa saia melhor do que quando entrou na prisão.
Somos movidos por Cristo a renunciar a nossa vontade e realizar a Dele, ser luz e sal, e um exemplo dessa obediência são os cristãos que  realizam o trabalho da Capelania Carcerária.
Segundo Silva (2005, p.1) a expressão Capelania Carcerária é sinônima de Pastoral Carcerária, sendo esta última de uso relativamente recente, cujo emprego mais freqüente ocorre predominantemente no âmbito da Igreja Católica, pelo menos no Brasil. A palavra Capelania se refere ao cargo exercido pelo capelão e recebe sua adjetivação de acordo com o público alvo do seu ministério, daí Capelania Carcerária ter origem no trabalho que o capelão realiza aos encarcerados ou presos.
Esta atividade religiosa é fundamentada na Lei através da nossa Constituição, onde descreve as atribuições e os deveres do capelão, e seu papel na sociedade como conselheiro religioso e sua contribuição numa sociedade multicultural.
De acordo com Silva (2005, p.11) o favorecimento da Lei de Execução Penal (Lei Nº 7.210, de 11/07/1984, Seção VII, Da Assistência Religiosa, art. 24 diz: A assistência religiosa, com liberdade de culto, será prestada aos presos e aos internados, permitindo-se-lhes a participação nos serviços organizados no estabelecimento penal, bem como a posse de livros de instrução religiosa; 1º No estabelecimento haverá local apropriado para cultos religiosos; 2º Nenhum preso ou internado poderá ser obrigado a participar de atividade religiosa. O favorecimento do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei Nº 8.069, de 17/07/1990, Seção VII, Da Internação diz: Art. 124 – São direitos dos adolescentes privado de liberdade, entre outros, os seguintes: XIV – receber assistência religiosa, segundo a sua crença, e desde que assim o deseje.
De acordo com a Subchefia para Assuntos Jurídicos da Presidência da República, a Lei Nº 9.982, de 14 de julho de 2000, dispõe sobre a prestação de Assistência Religiosa nas entidades hospitalares públicas e privadas, bem como nos estabelecimentos prisionais civis e militares. Art. 1º - Aos religiosos de todas as confissões assegura-se o acesso aos hospitais da rede pública ou privada, bem como aos estabelecimentos prisionais civis ou militares, para dar atendimento religioso aos internados, desde que em comum acordo com estes, ou com seus familiares no caso de doentes que já não mais estejam no gozo de suas faculdades mentais. Art. 2º Os religiosos chamados a prestar assistência nas entidades definidas no art. 1º deverão, em suas atividades, acatar as determinações legais e normas internas de cada instituição hospitalar ou penal, a fim de não pôr em risco as condições do paciente ou a segurança do ambiente hospitalar ou prisional.
Segundo Bonanato (2013, p.3) o objetivo da Pastoral Carcerária é anunciar o Evangelho de Jesus Cristo às pessoas privadas de liberdade e zelar para que os direitos e a dignidade humana sejam garantidos no sistema prisional, nesse momento é onde a Pastoral Carcerária faz o papel do Estado dando assistência jurídica ao detento e promovendo um atendimento ao egresso tentando desta forma manter o egresso inserido novamente na sociedade sem que ele não entre novamente no crime e volte para o sistema prisional. O apenado deve arcar com suas conseqüências, mas não pode ser esquecido, pois é um ser humano e deve ser tratado com humanidade e com condições para que inserido à sociedade não volte mais ao crime.
Na pesquisa encontramos diversos relatos sobre as dificuldades que as Pastorais Carcerárias encontram para desempenharem o seu papel, como conversando com os detentos e com a direção dos presídios, ao encaminhar relatórios a órgãos públicos competentes.
Segundo Silveira (2007, p.210) em dez anos a população carcerária do país dobrou, o que não acompanhou as mudanças desse sistema prisional foi a estrutura e funcionamento das unidades. Os grupos e facções do crime surgiram pela lacuna do Estado. As facções fornecem o mínimo para a sobrevivência, seja material de higiene, seja medicamentos, atendem também aos familiares. O Estado abandonou os presídios, também a sociedade como num todo, e o Estado aqui é o Administrativo, o Jurídico, o Ministério Público, o Legislativo. O Tribunal de Justiça não se deu a responsabilidade de cumprir a lei no que diz respeito ao juiz que deve visitar mensalmente os presídios. No Legislativo, não foi criada a ouvidoria do sistema prisional. Qualquer coisa que o preso fizer vai para o “regime disciplinar”. Segundo Haroldo Caetano da Silva (2015, p.3) o presidiário que comete falta disciplinar de natureza grave está sujeito à responsabilização administrativa e a Lei de Execução Penal (LEP) prevê para essa hipótese a possibilidade das sansões de restrição de direitos, o isolamento e, nos casos extremos, a inclusão do faltoso no regime disciplinar diferenciado, com perda parcial dos dias remidos. Mas há ainda uma ausência muito grande da sociedade civil dentro dos presídios, das entidades de direitos humanos que discutem o preso, mas não visitam o preso.
Podemos então refletir sobre “qual tem sido a participação da Igreja Evangélica Brasileira frente a tantos desafios enfrentados por estes irmãos que têm se dedicado a essa causa específica”. O que temos feito de concreto para termos uma sociedade mais igualitária?  
De acordo com Vargas (2005, p.33) entre o discurso da Pastoral Carcerária e os grupos evangélicos, grosso modo, o católico explicita uma preocupação social que é mais condizente com a realidade e com o contexto que envolve os internos, enquanto que o evangélico manifesta uma preocupação de tendência mais individual, da pessoa com Deus.
Segundo Silva (2005, p.10) no Brasil, como é notório, as organizações religiosas das mais diversas confissões têm sido solicitadas a colaborar com a Sociedade e o Poder Público no tocante ao trato das questões pertinentes ao preso. O efetivo atendimento a esse premente desafio deve levar em conta alguns fatores referenciais, pois oferecem “pistas facilitadoras” ao planejamento e atuação da Igreja nesse campo missionário que exige tratamento diferenciado: Carta das Nações Unidas; Declaração Universal dos Direitos Humanos; Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos; Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais, Culturais; Convenção contra a Tortura e outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra a Mulher, Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, Convenção sobre os Direitos da Criança.
Para Vargas (2005, p.27) a religiosidade é um mecanismo indireto, mas efetivo, de controle sobre a massa carcerária, uma vez que sua presença no cotidiano prisional suaviza, balsama e ameniza as tensões diárias das internas, tornando-as mais dóceis. A presença dos grupos e dos discursos religiosos cristãos, além de proporcionar aos internos um suporte emocional, representa um parêntese no cotidiano prisional que os anima, lhes dá força e preenche de sentido os dias em cativeiro.
Junior (2015, p.2) nos ajuda a entender o papel do Capelão mediante a toda complexidade que fora apresentada nesta pesquisa, para ele: “a Capelania tem o condão de mostrar ao recluso como Deus lhe é gracioso, sendo que o respeito à sua dignidade humana proporciona, inclusive, a elevação da autoestima. Para alguns, aliás, a prisão pode ser tida como providência divina contra uma morte prematura nas mãos de outros bandidos ou em confronto com policiais. A assistência espiritual fortalece no encarcerado os valores bíblicos, a percepção de uma justa punição pelo mal cometido, a busca por romper o estigma social e solidificar os laços familiares despedaçados e, por fim, a recompensa divina pelas boas obras. Importa que realizemos a capelania porque é nosso dever nos solidarizar com os presos, também criados a imagem de Deus, exerçam eles, ou não, a mesma crença; assistir aos “domésticos da fé”, sejam irmãos convertidos na prisão ou mesmo aqueles que, por ocasião do pecado, estavam nas fileiras de nossas igrejas e acabaram infringindo a lei penal; ansiar por sermos instrumentos de Deus para que os reclusos, diante dos ensinos bíblicos, passem a se portar de maneira diferente na prisão e quando dela saírem; e evangelizar crendo que Deus, de forma soberana, é capaz de levar o homem ao arrependimento”.

Considerações finais

            Concluímos a pesquisa com o sentimento de um dever a ser cumprido, de saber que precisamos nos aprofundar sobre a temática, a fim de praticarmos a ordem que Jesus deixou para nós citada na introdução desta pesquisa.
            O crime é fruto do pecado e gera a morte (Tg 1.14-15), mas as Escrituras Sagradas nos ensina que “Visto que a morte veio por meio de um só homem, também a ressurreição dos mortos veio por meio de um só homem. Pois da mesma forma como em Adão todos morrem, em Cristo todos serão vivificados” (1Cor 15.21-22).
            Apresentamos alguns aspectos do sistema prisional, através de relatos e citações dos artigos acadêmicos.
 Procuramos mostrar os conceitos de Capelania, Capelania Carcerária e o papel do Capelão e as Leis que autorizam a sua assistência religiosa.
            Somos o país com a terceira maior população carcerária no mundo, e qual têm sido a nossa participação como Igreja de Cristo na construção, ou reestruturação dessa sociedade na qual fazemos parte?
            Assim, nos cabe o desejo de aproximarmos de irmãos que já estão nessa caminhada para aprender, e também contribuir para a proclamação do evangelho de Jesus, e para o auxílio desses “irmãos menores” que estão temporariamente encarcerados.

Referências bibliográficas:

BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada: Nova Versão Internacional: Antigo Testamento e Novo Testamento. 2ª ed. com concordância. São Paulo: Editora Vida, 2011.
BONANATO, Thales Eduardo Haring. Sistema Prisional Brasileiro, Pede Socorro! Disponível em . Acesso em: 19 de set. 2015.
FILHO, José de Jesus. “O sistema carcerário é tão grande ou maior que a criminalidade”. Disponível em . Acesso em: 19 de set. 2015.
JUNIOR, Antonio Carlos da Rosa. Capelania prisional: Uma breve aplicação da teologia reformada à assistência religiosa aos encarcerados. Disponível em . Acesso em: 19 de set. 2015.
NASCIMENTO, Bosco. Quem dá Assistência às Vitimas. Disponível em . Acesso em: 19 de set. 2015.
PRESIDÊNCIA DA REPÚBLCA. Casa Civil: Subchefia para Assuntos Jurídicos. Disponível em . Acesso em: 19 de set. 2015.
SILVA, Haroldo Caetano. Súmula do STJ sobre progressão é exercício arbitrário de um poder vazio. Disponível em . Acesso em: 19 de set. 2015.
SILVA, Aluísio Laurindo . Ensaio Monográfico Capelania Carcerária: Contribuições Pastorais de João Wesley. Disponível em . Acesso em: 19 de set. 2015.
SILVEIRA, Valdir João. Agentes de Pastoral Carcerária: chamados a ser Profetas. Disponível em . Acesso em: 19 de set. 2015.
SILVEIRA, Valdir João. Por um mundo sem cárcere: Projeto de Deus e compromisso de cristãs e cristãos. Disponível em . Acesso em: 19 de set. 2015.
SILVEIRA, Valdir João. A realidade dos presídios na visão da Pastoral Carcerária – Entrevista com o Padre Valdir João Silveira. Disponível em . Acesso em: 19 de set. 2015.
VARGAS, Laura Ordóñez. Religiosidade: Poder e sobrevivência na Penitenciária Feminina do Distrito Federal. Debates do NER, Porto Alegre, ano 6, N.8, p. 21-37, Jul./Dez. 2005. Disponível em . Acesso em: 19 de set. 2015.

            

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Idoso: "Respeito não é só bom, é um dever, e nós não apenas gostamos, exigimos!"




               Você já deve ter ouvido o seguinte ditado: "respeito é bom e eu gosto!"...

        Segundo o Dicionário Aurélio, respeito significa: "sentimento que nos impede de fazer ou dizer coisas desagradáveis a alguém; apreço, consideração, deferência, obediência, submissão, temor".
             Jesus, o Cristo ensinou a seus discípulos e para uma multidão que "Em tudo façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam" (Evangelho de Mateus 7.12). Com outras palavras: "o que eu desejo para mim devo fazer pelo o outro".
              Entretanto, não é o que vemos nos canais de comunicações e em redes sociais, onde milhares de idosos são agredidos das mais variedades e criatividades possíveis. Assim, esta postagem tem como objetivo te levar a uma reflexão profunda sobre a necessidade do "respeito" que todos os idosos precisam:

            No Brasil o processo de envelhecimento populacional está ocorrendo de forma rápida e em todas as regiões do país. A partir da década de 60, com a redução da fecundidade, observam-se mudanças profundas na distribuição etária, a qual possuía, por exemplo, nos anos 70 uma proporção idosa de 5.1% e em 2000 esta aumenta para 8.6%. O aumento da expectativa de vida representa um ganho para a sociedade e traz repercussões nos setores social e de saúde. Gastos previdenciários, diminuição proporcional da população economicamente ativa, manutenção da rede de suporte social, aumento do índice de condições crônicas e problemas socioeconômicos, que contribuem para aumentar o risco de idosos com dependência física e social – estes são alguns dos problemas advindos de tal processo (CARREIRA, L.; RODRIGUES, R. A. P., 2010, p. 934).

           Nas últimas três décadas, a população brasileira vem envelhecendo em ritmo mais acelerado devido, principalmente, à rapidez com que declinam as taxas de fecundidade (JOIA, L. C.; RUIZ, T. DONALÍSIO, M. R., 2007, p.132).
           No Brasil, ocorre em ritmo acelerado, acarretando modificações nas políticas e constituindo-se em um dos grandes desafios da Saúde Pública. Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde, o Brasil está entre os países que aumentam mais rapidamente o índice de envelhecimento e, de acordo com projeções para o ano de 2025, haverá 46 idosos para cada 100 pessoas menores de 15 anos. No panorama atual, as transformações vivenciadas em decorrência do processo de envelhecimento populacional acelerado acarretam mudanças no perfil epidemiológico brasileiro (DUQUE, A. M. et al., 2012, p. 2200).
            Atualmente, no Brasil, os idosos representam cerca de 10% da população geral. O censo demográfico brasileiro de 2000 evidenciou que 15,5 milhões de pessoas têm 60 anos ou mais, projetando um crescimento para 18 milhões até 2010 e 25 milhões até 2025 (TAVARES, D. M. S.; OLIVEIRA, J. C. A., 2009, p. 775).

           O envelhecimento populacional é um fenômeno mundial que tem gerado reflexão e discussão no meio acadêmico, nos serviços de saúde, nas instâncias governamentais e, não governamentais. Compreender e vivenciar o envelhecimento populacional, de forma positiva ou negativa, está relacionado ao olhar das outras gerações, isto é, à forma como as demais gerações interpretam e vivenciam o processo de envelhecer, mas também, está atrelado ao modo como os idosos se percebem e constroem o seu envelhecer. É necessário compreender que o envelhecimento é um processo complexo, geralmente associado a doenças, incapacidades, dependência e perda da autonomia (FLORES, G. C. et al., p. 468).
       Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), em seu último relatório técnico, “Previsões sobre a população mundial”, elaborado pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais, em 2050 o número de pessoas com mais de 60 anos de idade será cerca de três vezes maior do que o atual. Os idosos representarão cerca de um quinto da população mundial projetada, ou seja, 1,9 bilhões de indivíduos (do total de 9 bilhões), o que torna urgente a necessidade de estudos e investigações que contribuam para a melhoria e/ou manutenção da saúde e qualidade de vida nessa faixa etária (DIAS, D. S.; CARVALHO, C. S.; ARAUJO, C. V., 3013, p. 128).
            Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), o perfil etário brasileiro, em 2009, era de 21 milhões de pessoas idosas, e para 2025 a estimativa é crescente, com expectativa de 33 milhões de pessoas acima de 70 anos (CASTRO, A. P. et al., 2013, p. 1284).
Segundo os dados do perfil dos idosos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE (2000), em 1950 havia cerca de 204 milhões de idosos no mundo, e em 1998 - quase cinco décadas depois - este contingente alcançava 579 milhões de pessoas, um crescimento de quase 8 milhões de pessoas idosas por ano. As projeções indicam que, em 2050, a população idosa será um montante equivalente à população infantil de 0 a 14 anos de idade.

Segundo Andrade, A. N. et al. (2012, p.748) “o termo idoso frágil  foi utilizado oficialmente pela primeira vez, em 1970, pelos membros do Federal Council on Aging (FCA) dos EUA, com a finalidade de descrever idosos que viviam em condições socioeconômicas desfavoráveis e apresentavam fraqueza física e déficit cognitivo que, com o avanço da idade, passavam a exigir maior demanda de cuidados; os atributos da fragilidade em idosos evidenciados na literatura são: vulnerabilidade a estressores biopsicossociais e ambientais, alteração na marcha e redução da força de preensão manual”.
Segundo Rocha, I. A. et al. (2009, p. 692) “o preconceito de idade caracteriza-se em que as necessidades e os interesses dos idosos recebem menos atenção do que a dos jovens; refletindo uma tendência de associar indevidamente a velhice a algo negativo e não como uma fase da vida que tem aspectos positivos e negativos; existem estratégias que podem contribuir com a qualidade de vida do idoso, como a espiritualidade, o diálogo, o apoio familiar, o perdão, o lazer, a procura de um especialista, amar; a estratégia mais utilizada para o fortalecimento é a espiritualidade, é na oração e no cultivo de esperanças movido pelo desejo de conquista; a vem ganhando cada vez mais credibilidade no conceito da biomedicina, pois vários foram os momentos em que se percebeu o poder dela na cura, é preciso não subestimar os riscos das conseqüências de uma religiosidade”.
Segundo Horta, A. L. M et al. (2010, p.526) “a espiritualidade pode ter uma dimensão central na vida dos idosos relacionada ao surgimento, à manutenção e às possibilidades de atenuação de agravos a saúde física e mental; a busca de espiritualidade com o avançar da idade é fonte importante de suporte emocional, práticas e crenças religiosas parecem contribuir decisivamente pra o bem-estar na velhice, a constitui um modo de pensar construtivo, é um sentimento de confiança de que acontecerá o que se deseja, a fé em Deus é um sentimento arraigado na nossa cultura e é tão necessária quanto são outros modos de enfrentamento”.

        Segundo Camacho, A. C.; Coelho, M. J., (2010, p. 283) “o envelhecimento é hoje, uma realidade que não pode ser ignorada na maioria das sociedades desenvolvidas e em desenvolvimento, tornando-se temática relevante do ponto de vista científico e de políticas públicas, mobilizando pesquisadores e promotores de políticas sociais, na discussão do desafio que a longevidade humana está colocando para as sociedades; em geral temos uma população idosa heterogênea em diversos aspectos sociais, econômicos, de gênero, culturais, psicológicos dentre outros; diante disso, observa-se a importância do planejamento de políticas da população idosa”.

        Segundo Joia, L. C., et al. (2001, p.132) “satisfação é um fenômeno complexo e de difícil mensuração, por se tratar de um estado subjetivo. Define com maior precisão a experiência de vida em relação às várias condições de vida do indivíduo; o julgamento da satisfação depende de uma comparação entre as circunstâncias de vida do indivíduo e um padrão por ele estabelecido; satisfação reflete, em parte, o bem-estar subjetivo individual, ou seja, o modo e os motivos que levam as pessoas a viverem suas experiências de vida de maneira positiva”.
Segundo Uchôa, E. (2003, p.850) “para que possamos desenvolver intervenções adequadas às características sociais e culturais da população idosa, é preciso conhecer um pouco mais sobre a maneira como os idosos brasileiros envelhecem, como atribuem significados a este período de suas vidas ou como interagem à sua experiência”.
Segundo Rocha, I. A. et al. (2009, p.688) “entende-se que envelhecer de maneira saudável e manter o bem-estar na velhice significa ter saúde num sentido mais amplo; seria o equilíbrio entre o bom estado de saúde física somado aos sentimentos de respeito, segurança, oportunidade de participar da sociedade de acordo com as suas limitações e posteriormente ser reconhecido pela contribuição, logo se torna propícios que haja políticas, que invistam em programas para incentivar a população estimando a redução dos índices de abandono, bem como problemas sociais vivenciados pelos idosos”.
Assim, precisamos nos conscientizar que o idoso é frágil, apesar da autonomia e da melhor qualidade de vida que alguns tem, mas mesmo assim, precisamos ficar atentos e perceber que eles precisam de nosso apoio.
Precisamos proporcionar momentos de lazer, de segurança, de satisfação, e de conforto, para que eles continuem se sentido seres humanos úteis dentro do seu convívio familiar e social.


Cristiano Vinicius Barbosa.

Referências Bibliográficas:

1. CARREIRA, L.; RODRIGUES, R. A. P. Dificuldades dos familiares de idosos portadores de doenças crônicas no acesso à Unidade Básica de Saúde. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília 2010, nov-dez; 63(6): 933-9.
2. DUQUE, A. M. et al. Violência contra o idoso no ambiente doméstico: prevalência e fatores associados (Recife, Pernambuco). Ciênc. Saúde coletiva. 2012, vol. 17, n.8, pp 2199-2208.
3. JOIA, L. C.; RUIZ, T.; DONALÍSIO, M. R. Condições associadas ao grau de satisfação com a vida entre a população de idosos. Revista Saúde Pública, 2007; 41(1): 131-8.
4. OLIVEIRA, J. C. A.; TAVARES, D. M. S. Atenção ao idoso na estratégia de Saúde da Família: atuação do Enfermeiro. Revista Escola de Enfermagem da USP, 2010; 44(3): 774-81.
5. FLORES, G. C. et al. Cuidado intergeracional com o Idoso: autonomia do idoso e presença do cuidador. Revista Gaúcha de Enfermagem, Porto Alegre (RS) 2010, set; 31(3): 467-74.
6. DIAS, D. S. G.; CARVALHO, C. S.; ARAUJO, C. V. Comparação da percepção subjetiva de qualidade de vida e bem-estar de idosos que vivem sozinhos, com a família e institucionalizados. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Rio de Janeiro, 2013; 16(1):127-138.
7. CASTRO, A. P. et al. Violência na velhice: abordagens em periódicos nacionais indexados. Ciência & Saúde Coletiva, 18(5):1283-1292, 2013.
8. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE. Fonte: www.ibge.gov.br
9. LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. A. Fundamentos de metodologia científica. 5ª Ed. – São Paulo: Atlas 2003.
10. ANDRADE, A. N. et al. Análise do conceito fragilidade em idosos. Texto Enferm, Florianópolis, 2012 Out-Dez; 21(4):748-56.
11. ROCHA, I. A. et al. A terapia comunitária como um novo instrumento de cuidado para saúde mental do idoso. Rev. Bras. Enferm, Brasília 2009 set-out: 62(5): 687-94.
12. HORTA, A. L. M. Envelhecimento, estratégias de enfrentamento do idoso e repercussões na família. Rev. Bras. Enferm, Brasília 2010 jul-ago: 63(4): 523-8.
13. CAMACHO, A. C. L. F. Políticas públicas para a saúde do idoso: revisão sistemática. Rev. Bras. Enferm, Brasília 2010 mar-abr; 63(2): 279-84.
14. UCHÔA, E. Contribuições da antropologia para uma abordagem das questões relativas à saúde do idoso. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 19(3): 849-853, mai-jun, 2003.



sábado, 2 de novembro de 2013

Aproveite enquanto dá tempo!

Cristiano Vinicius Barbosa
 
Caro leitor, antes de começar nossa reflexão, um breve relato sobre a vida Lúcio  Anneo Sêneca, conhecido como Sêneca. Nascido em Córdoba, Espanha. Educado em Roma, advogado e membro do senado Romano, e magistrado. Responsável pela educação de Nero em 50 d.C. Escritor e grande filósofo, destacou-se por sua ironia na área literária da retórica romana. Deixou uma imensa contribuição para a sua época e para os nossos dias. Acusado de participar na conjuração de Pisão, recebe de Nero a ordem de suicidar-se, executando com o mesmo ânimo sereno que pregava a sua filosofia, morrendo em 65 d.C.

 Mas vamos ao que interessa!

Como você tem aproveitado a vida? De que forma? Sêneca nos ajuda a refletir sobre as questões que envolve a vida, como o tempo, a profissão, os relacionamentos cotidianos, e a consequência de nossos atos diários.


Assim, pensemos nas seguintes reflexões:

Sêneca: "Não temos exatamente uma vida curta, mas desperdiçamos uma grande parte dela. A vida, se bem empregada, é suficientemente longa e nos foi dada com muita generosidade para a realização de importantes tarefas”.

Como temos utilizado o tempo de vida que temos? Estamos gastando os “cartuchos” que temos em vão? Como estamos empregando o nosso tempo? Coisas úteis, ou vãs? Que tipo de tarefa temos cumprido na vida que nos fora dada?

Sêneca: “Não temos uma vida breve, mas fazemos com que seja assim”.
De que forma estamos dando ‘forma’ a nossa vida?

Sêneca: “Pequena é a parte da vida que vivemos. Pois todo o restante não é vida, mas somente tempo”.
A nossa vida tem sido resumida numa ‘pequena’ parte ou somente temos o ‘tempo’ como vida?

Sêneca: “Perscuta a tua memória: quando atingiste um objetivo? Quantas vezes o dia transcorreu como o planejado? Quando usaste o teu tempo contigo mesmo? Quando mantiveste uma boa aparência, o espírito tranquilo? Quantas obras fizeste para ti com um tempo longo? Quantos não esbanjaram a tua vida sem que notasses o que estavas perdendo?”.

Aí eu pergunto: Como temos usado o nosso espelho? Somente para refletir a aparência externa ou para nos projetar introspectivamente à nós mesmos, e ver o que está por detrás de tudo que nos envolve? A nossa carga horária profissional tem nos dado tempo para viver com as pessoas a quem amamos? Não será a hora de tomar uma decisão em prol do nosso bem estar, e daquele que nos ama?

Sêneca: “Nada está mais ‘longe’ do homem ‘ocupado’ do que viver, nenhuma coisa é mais difícil de aprender. Deve-se aprender a viver por toda a vida e, por mais que te admires. durante toda a vida se deve aprender a morrer”.

Somos tão ocupados não é? São tantos plantões... As ocupações exageradas nos tiram a beleza do momento da vida. Estamos realmente aprendendo a viver? E a morrer?

Sêneca: “Ninguém valoriza o tempo, faz-se uso dele muito largamente como se fosse gratuito. Ninguém te devolverá aquele tempo, ninguém te fará voltar a ti próprio. Uma vez lançada, a vida segue o seu curso e não o reverterá nem o interromperá, não o elevará, não te avisará de sua velocidade, transcorrerá silenciosamente”.
Corremos tanto, e a pergunta que fazemos é: onde chegaremos?

Sêneca: “A ‘expectativa’ é o maior impedimento para viver: levar-nos para o amanhã e faz com que se perca o presente”.
“Assim é o caminho da vida, incessante e muito rápido, que dormindo ou acordado, fazemos com um mesmo passo e que, aos ocupados, não é evidente, exceto quando chegam ao fim”.
Estamos tão ocupados que esquecemos de nós mesmos, e de quem amamos de verdade…

Sêneca: “É brevíssima a vida dos ocupados. Pobre daquele que, cansado mais de viver do que de trabalhar, sucumbe entre suas próprias ocupações”.

Sêneca: “Uma alma segura e tranquila pode correr por todos os momentos da vida; todavia, os espíritos dos homens ocupados estão sob um jugo, não podem se dobrar sobre si próprios, não podem se contemplar”.

Sêneca: “O tempo presente é brevíssimo, ao ponto de, na verdade, não ser percebido por alguns”.

Sêneca: “Muito breve e agitada é a vida daqueles que esquecem o passado, negligenciam o presente e temem o futuro. Quando chegam ao fim, os coitados entendem, muito tarde, que estiveram ocupados fazendo nada”.

Sêneca: “Toma um pouco do teu tempo para ti. Refugia-te nestas coisas mais tranquilas, mais seguras, mais elevadas!”

Como você percebeu, a Filosofia trabalha especificamente com questionamentos, e leva ou transporta-nos às nossas próprias vivências cotidianas, cabendo a nós mesmos, procurar as respostas. Como disse certa vez René Descartes: “Penso, logo existo”.
Então vamos pensar para a cada dia podermos existir, e sabermos viver a vida de forma intensa tanto na vida pessoal quanto na vida profissional.
Grande abraço.
________________________
Referência Bibliográfica:
Sobre a brevidade da vida/Lúcio Anneo Sêneca; tradução Lucia Sá Rabello, Ellen Itanajara Neves Vrana, Gabriel Nocchi Macedo. – Porto Alegre: L&PM, 2012.

terça-feira, 30 de julho de 2013

PRÉ-NATAL PARA TODAS E TODOS


Desenvolvemos esta pesquisa a fim de proporcionar a população informações simples, claras e objetivas sobre a importância do Pré-Natal, não sou especialista desta área, porém, sinto-me na responsabilidade como profissional da saúde - Enfermeiro, contribuir para o desenvolvimento da sociedade. Assim, segue abaixo a pesquisa que desenvolvemos.

Cristiano Vinicius Barbosa.
ENFERMEIRO
CORENSP: 203624
 
"PRÉ-NATAL PARA TODAS AS GESTANTES"



Introdução

A gravidez é um período que provoca várias mudanças físicas, emocionais e sociais. Essas alterações geram sentimentos, como ansiedade, medo, angústia, dúvida, fantasia, entre outros, o que exige uma série de adaptações tanto da mulher como de seu parceiro. Verifica-se, a princípio, a mudança de identidade e a identificação de novos papéis: a mulher passa a ser vista como mãe e o homem como pai (Neme, 2005; Maldonado, 2000; Beretta, Andrade, 2000).

A primeira gravidez comporta cinco temas positivos relacionados à sua significação: consolidação dos elos no casal, realização de um desejo quase inerente de ter um filho, ser testemunho de um milagre, atenção familiar inabitual e fortalecimento dos elos com seu feto pelo contato visual durante o ultra-som. Para a maioria, de fato, o anúncio da gravidez constituiu uma etapa de formalização da relação amorosa, e, de alguma forma, consentiu o direito de entrada no mundo adulto. Para todas, sem exceção, ter um filho coincide com a materialização de um sonho, de um projeto de vida sem igual. Este discurso é animado pelo caráter misterioso do nascimento, que fascina a cada uma.

Os cursos da maternidade em questão são ministrados por uma equipe multiprofissional: Enfermeira Obstetra, Médico Pediatra, Médico Anestesista, OdontoPediatra, Fisioterapeuta, Psicóloga, Fonoaudióloga, Nutricionista e Assistente Social.

O grupo de gestantes é um meio de promover a educação em saúde, com o objetivo de preparar a mulher e o companheiro para o processo gestacional, que têm, então, a oportunidade de se auto-conhecerem, expressando o que sentem e sanando suas dúvidas relativas ao momento que estão vivenciando (Ávila, 1999).

Nos últimos tempos, os grupos de gestantes vêm sendo bastante estimulados, tanto em unidades básicas de saúde como em unidades hospitalares. Segundo o Ministério da Saúde (Brasil, Ministério da Saúde, 2006), os temas mais abordados são: amamentação, alimentação da mãe e bebê, sexualidade, planejamento familiar, cuidados com a gestação e seus desconfortos, parto, pós-parto, cuidados com o bebê e formação da nova família.

Esta instituição tem como objetivo principal educar as gestantes, companheiros e familiares, para promoverem auxílio nas diversas fases da gestação, a fim de proporcionar uma gestação segura, tranqüila, e prazerosa para a mãe, o pai, e seu lindo bebê.

 
Gestação na adolescência



A adolescência é tratada por muitos como uma fase de rebeldia e desentendimentos. Por esse motivo, o modo de cuidar dos adolescentes que estão vivenciando a maternidade e paternidade, necessitam estarem pautados nas relações entre o profissional da saúde e os jovens para que haja acolhimento, vínculo e responsabilização, favorecendo assim a troca de saberes e fazeres entre ambos.

O início precoce da atividade sexual e, principalmente, de forma desprotegida, associado com o alto índice de gestações não planejadas decorrentes de relacionamento com parceiro igualmente jovem são dados que desencadeiam reflexões sobre nossos adolescentes, que, apesar de razoável nível de escolaridade e de conhecimento sobre sexualidade, não conseguem traduzi-los em sexo protegido e mudanças de comportamento. A repetição de nova gestação indesejada ainda na adolescência de uma em cada cinco jovens reflete que nem a vivência da gestação e suas conseqüências são efetivas para o desenvolvimento de um comportamento sexual responsável, capaz de romper um círculo vicioso.

A gravidez na adolescência é um fenômeno complexo, associado a grande número de fatores, como os econômicos, educacionais e comportamentais, precipitando problemas e desvantagens decorrentes da maternidade precoce.

 
O importante papel Paterno no processo gestacional

A participação do homem na gravidez o faz sentir-se parte do processo, o que possibilita relações menos conflituosas também com a mulher, refletindo na qualidade de vida conjugal. A esse respeito, pode-se afirmar que os pais mais conectados emocionalmente à gestação estariam mais predispostos a reagir adequadamente às necessidades de apoio e compreensão de suas esposas. Atualmente, os companheiros querem participar do processo gestacional, estar presente na hora do nascimento de seu bebê, dispensar cuidados a ele tanto o quanto a mãe e, se possível, amamentá-lo (Ávila, 1999; Piccinini, 2004).

A participação paterna durante a gestação beneficia a tríade mãe-pai-filho, por facilitar as transformações conjugais que acompanham o nascimento, trazendo conseqüências benéficas para o homem e para o desenvolvimento da criança, pois quanto mais cedo o vínculo é formado, tanto pelo contato físico no ventre da mulher quanto pela emissão de palavras, maiores serão os benefícios emocionais após o nascimento (Hotimski, Alvarenga, 2002).

Os pais podem, inclusive, desenvolver a Síndrome de Couvade, em que o homem apresenta sintomas físicos e psicológicos semelhantes e concomitantes aos da gestante (Parke, 1996 apud Piccininiet al, 2004; Campos, 2006).

Estudar a paternidade, em especial, do adolescente, é destacar a dimensão relacional prestada a este, pois serviços de saúde, em geral, direcionam seus trabalhos à mãe adolescente, como por exemplo, o pré-natal. Considerar, portanto, apenas a mãe como merecedora de cuidado e conforto é não compreender que o novo processo de paternar, aquele cujo pai constitui-se em um membro ativo e participativo na atenção dada ao filho, é mais uma forma de exercício da paternidade.

 
Evolução da gravidez


 

Útero – Desenvolve-se com a gravidez, chegando a pesar 1 kg e ter de 36 a 40 cm de altura.

Mamas – Aumentam de volume e apresentam secreção: primeiro o colostro e depois o leite em geral 48 horas depois do parto.

Placenta – Formação que permite que a mãe alimente seu filho.

Aparelho Circulatório – Podem aparecer varizes nas pernas, devendo a paciente fazer exercícios e repouso com os membros elevados, deitada de lado e, sempre que possível, utilizar meia elástica desde o inicio.

Aparelho Respiratório – É comum a paciente se queixar de falta de ar devido a distensão abdominal.

Aparelho Digestório – Pode haver queixa de obstipação, vômitos estômago cheio. A alimentação dever ser fracionada e muito saudável (com mais fibras).

Aparelho Urinário – Aumento o numero de micções e ocorre maior tendência às infecções urinárias.

Aparelho Locomotor – São comuns as dores nas articulações e as torções.

Pele – Aumenta a pigmentação dos mamilos, aparece uma linha escura no meio da sua barriga, e podem aparecer manchas no rosto, devendo ser evitado o banho de sol.


O desenvolvimento do feto

* Com 12 semanas

Comprimento: 10 cm, Peso: 28g.

Membros superiores e inferiores já desenvolvidos

Órgãos sexuais em desenvolvimento

 * Com 20 semanas

Comprimento: 12 a 25 cm, Peso: 220 a 400g.

Orelhas, olhos, nariz e boca já formados.

O bebê engole e dorme.

Percebe-se algum movimento.

 * Com 26 semanas

Comprimento: 29 a 35 cm, Peso: 450 a 900 g

Os olhos começam a se abrir

 * Com 32 semanas

Comprimento: 38 a 40 cm, Peso: 1250 a 2000 g

 * Com 40 semanas

Comprimento: 45 a 55 cm

Peso: 3 a 4 Kg, pulmões maduros e unhas longas.

 
Nutrição Gestacional

A nutrição adequada durante a gravidez possibilitará à gestante manter-se em bom estado de saúde e o desenvolvimento normal do feto. A gestante deve fazer várias refeições durante o dia, pois, havendo alimentos no estômago, diminuem as possibilidades de náuseas, vômitos e azia. Uma boa alimentação, rica em vitaminas, previne inchaços, prisão de ventre, varizes, pressão arterial alta ou baixa, cansaço excessivo, tonturas, parto difícil, ausência ou insuficiência de leite e o comprometimento de um bom desenvolvimento do bebê (Accioly, Saunders, Lacerda, 2005; Carvalho et al, 2005).

O ganho de peso materno é essencial para o desenvolvimento e crescimento do feto, no entanto, deve ser controlado de modo a evitar a ocorrência de deficiência ou excesso (Accioly, Saunders, Lacerda, 2005; Carvalho et al, 2005).

 
Atividade sexual durante a gestação



O desejo sexual durante a gravidez varia, podendo depender de determinadas ocasiões para uma mesma mulher. Pode haver intensificação do desejo quando a mulher se sente mais ligada ao homem, o que é mais comum na segunda metade da gestação, período de maior estabilidade na gravidez para a maioria das gestantes e, em outras ocasiões sentir repugnância pelo relacionamento sexual, situação que comumente ocorre no primeiro trimestre, quando a mulher apresenta ambivalência em relação à gravidez e enjôos. No final da gravidez, algumas mulheres sentem-se desconfortáveis, devido à forma do corpo, por isso a orientação ao casal é de experimentar posições confortáveis para a gestante para o ato sexual (Ziegel, 1985). Durante a gestação, a atividade sexual pode ser praticada normalmente, o que dependerá somente do casal. Em qualquer momento da gravidez, na ocorrência de sangramentos (ameaça de aborto, descolamento de placenta e placenta prévia), cólicas (ameaça de aborto) e contrações e rompimento de bolsas de água (trabalho de parto prematuro), principalmente no último trimestre, a relação sexual com penetração deve ser suspensa, no entanto jogos sexuais, carícias e a cumplicidade devem ser mantidos e estimulados (Montenegro, Rezende Filho, 2008; Carvalho et al, 2005).

Atividade física na gestação


Os exercícios físicos são benéficos à saúde porque melhoram a circulação e a digestão, o apetite, a função intestinal, além de proporcionar relaxamento e um sono repousante (Ziegel, 1985). Para Santos (1998) apud Zampieri (2003), o nível ideal de exercício a ser praticado durante a gravidez ainda não foi determinado, no entanto sabe-se que depende da forma física da gestante no momento da avaliação e da intensidade do exercício prévio à gestação. Evitar exercícios que necessitem de equilíbrio, especialmente no 3º trimestre, devido ao risco de quedas e atividades com potencial para trauma abdominal. São indicados exercícios que usam um maior número de grupos musculares, particularmente os que são realizados de forma rítmica e com baixo impacto, que são os mais aconselháveis, como caminhar, nadar, usar bicicleta ergométrica, fazer aeróbica de baixo impacto. No início da atividade física proposta, é essencial a realização de alongamento e aquecimento; o exercício físico deve durar de 15 a 30 minutos, com períodos de descanso, quando necessário; um desaquecimento gradual de 10 a 15 minutos é aconselhável (Zampieri, 2003).

Com base em pesquisas na área de exercício e gravidez, o Sports Medicine Australia elaborou as seguintes recomendações:

Em grávidas já ativas, manter os exercícios aeróbios em intensidade moderada durante a gravidez; evitar treinos em freqüência cardíaca acima de 140 bpm. Exercitar-se três a quatro vezes por semana por 20 a 30 minutos.

Contra-indicações relativas: Hipertensão essencial; Anemia; Doenças tireoidianas; Diabetes mellitus descompensado; Obesidade mórbida; Histórico de sedentarismo extremo

Contra-indicações absolutas: Doença miocárdica descompensada; Insuficiência cardíaca congestiva; Tromboflebite; Embolia pulmonar recente; Doença infecciosa aguda; Risco de parto prematuro; Sangramento uterino.

Outros benefícios ocasionados pelo simples fato de estar dentro da água são as lombalgias, que podem ser aliviadas pelo exercício aquático, pois permite que a ação da gravidade atue de forma menos intensa. Em decorrência, o peso corporal é aliviado e melhor suportado; a postura é corrigida durante a hidroterapia, reduzindo a sensação do desconforto gestacional (PREVEDEL et al., 2003).

 
Saúde Bucal




O tratamento da saúde bucal das gestantes deve ser entendido como parte dos cuidados pré-natais necessários, por considerar também aspectos biológicos e clínicos como a recente associação entre doença periodontal em gestantes e nascimentos pré-termos e de baixo peso e a relação positiva entre a experiência de cárie da mãe e a de seu filho, desencadeada pela transmissibilidade bacteriana precoce e pelo compartilhamento de fatores culturais, comportamentais e sócio-econômicos do ambiente familiar. Outro perigo percebido no tratamento odontológico durante a gestação também foi apontado pelas gestantes: a realização de tomadas radiográficas. Entretanto, o uso prudente da radiografia pode ser empregado durante a gestação, porque a radiação ionizante é teratogênica apenas em doses bem maiores do que a necessária para uma ou duas tomadas radiográficas que possibilitam um diagnóstico adequado de um problema odontológico específico. A indicação deve ser restrita apenas ao necessário e todas as precauções rotineiras devem ser tomadas.

A antiga e difundida crença de que ocorre uma descalcificação dos dentes da mulher durante a gravidez para suplementar minerais no crescimento do feto, não tem suporte científico. Os minerais que passam para o bebê através da placenta e do aleitamento materno provém de diferentes processos biológicos, tais como o aumento no consumo alimentar e na absorção gastrintestinal de minerais e o decréscimo na excreção e a mobilização de minerais a partir do reservatório materno, o esqueleto. Desta forma, o feto se forma às expensas do cálcio ósseo e circulante e não do cálcio dentário. Cabe aqui ressaltar as diferenças existentes (embriológicas, histológicas e fisiológicas) entre ossos e dentes, as quais as gestantes parecem desconhecer, o que fomenta a crença em questão.

Vale ainda esclarecer que não existe uma relação direta de causa-efeito entre a gravidez e cárie. O que ocorre de fato são mudanças hormonais que diminuem o pH do meio bucal e a capacidade tampão da saliva; possíveis mudanças na alimentação pelo aumento do consumo de alimentos açucarados nesse período e possíveis mudanças nos hábitos de higiene bucal, além da também possível presença freqüente de ácidos provenientes de vômitos. Juntos estes fatores favorecem a atividade da doença cárie.


As Etapas do Parto

 
Os Primeiros Sinais

 
Cerca de 15 dias antes do parto podem surgir certos sinais que anunciam a chegada:

- abaixamento da barriga;

- perda do tampão mucoso (sinal);

- contrações esporádicas.

 

As Primeiras Dores

 

Quando chegar a hora, percebendo os sinais (contrações regulares, perda de líquido, sangramento vaginal, diminuição ou parada da movimentação do bebê), mantenha a calma, procure manter uma respiração adequada que alivie a tensão e vá para Maternidade.

O marido tem a grande tarefa de acompanhar esses momentos, dando apoio psicológico para ambos irem tranqüilos e ajudarem seu bebê a nascer. Em caso de dúvida, vá à maternidade!

 

Quanto Tempo Dura O Trabalho De Parto?

É bastante variável, porém é mais demorado quando é o primeiro filho.

 

Pré – Parto

É uma sala anexa ao Centro Obstétrico onde as gestantes em trabalho de parto têm o acompanhamento necessário e especializado.

 

Os Tipos De Parto

 

- Normal: Via vaginal. Faz-se uma incisão cirúrgica para facilitar a saída do seu bebê (episiotomia). Após o nascimento realiza-se a sutura dessa incisão (episiorrafia).

 
- Cesariana: o bebê é retirado pelo médico por uma incisão abdominal, que será observada pelo seu médico e comunicada a você.

 
Lembre-se sempre que o melhor tipo de parto é aquele que é mais seguro para ambos: a mãe e o bebê. É o médico quem decide o que é melhor para você!

 

Tipos De Anestesia

- Anestesia Raqui: elimina a sensibilidade e dor da região pélvica e dos membros inferiores.

 
 
O seu médico avaliará com o anestesista o tipo de anestesia que será melhor para você e ao seu bebê. A gestante precisa ficar em jejum para ser submetida à anestesia. Não beba e nem coma nada!

Evite trazer brincos, jóias e adornos para a maternidade, porque alguns equipamentos utilizados são incompatíveis com metal.

 
O Bebê na Sala De Parto

O Choro


É a forma de expressão que o bebê tem para mostrar que ele é capaz de viver fora do útero materno e se adaptar à sua nova vida. Porém não necessariamente deva chorar na sala de parto.


O Cordão Umbilical

O corte do cordão significa o rompimento final com o útero. O cordão é cortado e “clampeado” com uma pinça para que não sangre.

 

Cuidados Gerais

O seu bebê é recepcionado pelo pediatra neonatalogista e pela enfermeira. O pediatra procede à limpeza das vias aéreas e faz o primeiro exame avaliando sua vitalidade e elaborando o “boletim de Apgar”, ou seja, dá uma nota (de 0 a 10) para os primeiros minutos de vida.

A Enfermeira Obstetriz pinga uma gota de nitrato de prata nos olhos do bebê para prevenir infecções e identifica o seu bebê com pulseirinhas, sendo que você também recebe uma. A seguir, colocam-se as impressões dos pezinhos e do polegar direito no prontuário do berçário.

 
A Presença Do Pai ou Familiar

O pai ou familiar poderá estar presente na sala de parto se assim o desejar, esta participação é importante porque este será o primeiro contato com a criança que acaba de nascer e a primeira relação de afetividade.

 

O Bebê no Berçário

 
O Período de observação

O bebê deverá permanecer no berçário durante certo tempo para que seja detalhadamente examinado pelo pediatra e observado nas primeiras horas de vida. Após 4 horas será liberado para ser levado regularmente ao quarto para as mamadas.

 

Exames de Rotina

Diariamente o seu bebê é examinado pelo pediatra neonatalogista e pesado. Após cada mamada, ele é também avaliado para se verificar a eficiência do procedimento. Você poderá esclarecer dúvidas e receber informações durante a visita que é feita todos os dias pelo pediatra no quartos.

A Equipe de Plantão

Enfermeiras especializadas e médicos berçaristas estarão sempre prontos a atender durante as 24 horas do dia. Você receberá instruções sobre temas relativos aos cuidados com o bebê pelas enfermeiras obstétricas.

 

A Amamentação

            O leite Materno é o melhor alimento para o bebê até o 6º mês de vida.

 Deve ser oferecido como fonte exclusiva de alimentação, porque contém elementos que protegem a criança contra infecções, favorece o seu crescimento, não contém micróbios nem impurezas, não exige tempo de preparo, já está na temperatura certa, não custa nada além de todas essas vantagens, a amamentação proporciona maior relacionamento afetivo entre mãe e filho.

 

Aleitamento materno


O leite humano é um alimento nutricionalmente adequado para o recém-nato, adaptado ao metabolismo deste, desempenhando importante papel no desenvolvimento da criança e proporcionando proteção imunológica contra doenças infecciosas, particularmente a diarréia; além disso, estimula a relação afetiva do bebê com a mãe (Victora et al., 1987; Deweyet al., 1990; Monteiro et al., 1990; Granzoto etal., 1992; Victora, 1992; Giugliani & Victora,1997). Por tais características, a prática do aleitamento materno é preconizada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), sendo o leite humano indicado como única fonte alimentardo bebê nos primeiros quatro a seis meses de vida deste e como complemento alimentar até os dois anos ou mais (WHO, 1995).

 No Brasil, o Ministério da Saúde inclui o incentivo ao aleitamento materno como uma das ações básicas de saúde, dentro do Programa de Atenção à Saúde Materno-Infantil (MS,1993). Uma das causas apontadas para o desmame precoce é a falta de conhecimento que a mãe tem a respeito da qualidade de seu leite, tanto para sanar a fome, como para conduzir a um adequado desenvolvimento do seu filho (Vítolo et al., 1994).

 

Os Dez Mandamentos do Aleitamento Materno
1º Não exige tempo para ser preparado;

2º É mais econômico;

3º Não estraga;

4º Não pode ser modificado;

5º Sai direto da fábrica para o consumidor;

6º Está na temperatura ideal;

7º É livre de contaminação;

8º Protege contra as doenças;

9º É perfeito para o desenvolvimento da criança;

10º É o alimento mais completo.

 

ATENÇÃO MÃE: É importante você lavar as mãos com água e sabão antes de cada mamada. Seu bebê agradece!

 

Exercícios Com Os Seios

Antes do banho, segure um seio de cada vez, com as duas mãos, vá apertando em direção ao bico do seio, caso saia um pouco de leite não se preocupe que é normal.

Após a massagem, você pode passar qualquer óleo (óleo de amêndoas doce), para evitar as rachaduras no seio, enquanto estiver amamentando, evite usar sabão, lave os seios somente com água, o sabão resseca a pele facilitando o aparecimento de rachaduras.

Em seguida, pegue o bico do seio colocando-o entre o dedo indicador e o polegar, puxe-o fazendo movimentos giratórios, isto ajudará a formar o bico, o que facilitará ao bebê sugá-lo.

Com as duas mãos segure o seio fazendo massagens até o bico, faça isso várias vezes, com o passar do tempo, você notará que o seio vai ficando mais resistente, evitando assim problemas de rachaduras.

Após o banho, no momento em que estiver se enxugando, aproveite para massagear os seios com uma toalha macia fazendo movimentos circulares, essa massagem ajuda a tornar a pele dos seios mais resistente.

 

É muito importante...

Procure ficar calma, escolha um ambiente tranqüilo, sem barulho ou excessivamente iluminado;

Encontre uma boa posição (sentada, deitada ou mais confortável para você e para o bebê);

Dê sempre os dois seios, lembrando sempre que o último seio da mamada anterior, será o primeiro da mamada seguinte;

Para amamentar não existe hora nem tempo limitado, cada mamada dura em média 15 minutos em cada seio, nos primeiros dias é muito irregular;

Coloque o bebê para arrotar.

Enquanto seu bebê dorme procure descansar também;

O tamanho do seio nada tem a ver com a quantidade de leite;

Lembre-se de que não existe leite fraco;

A amamentação não deixa os seios flácidos;

Procure fazer banhos de sol nos seios para tornar a pele mais resistente;
 


Use sutiã 24 horas por dia;

Evite bicos de silicone.

 

Mamadeiras e Chupetas

 

Estes dois acessórios, em especial as mamadeiras, são incompatíveis com um aleitamento tranqüilo, a mamadeira e a chupeta confundirão o bebê quando ele for mamar na mãe, pois a “pega” no peito é diferente. A situação é mais grave quando ele ainda não aprendeu ou não se adaptou à forma de mamar do peito, o que geralmente acontece no primeiro mês de vida, aí então o bebê não consegue mamar direito e provavelmente o desmame acontecerá. Mesmo para dar remédios a mamadeira é contra indicada. Outro fato negativo do uso da mamadeira e da chupeta, é que elas podem se transformar em veículos de contaminação por micróbios, quando não higienizadas corretamente e neste caso causam diarréia.

 

Triagem Auditiva Neonatal – Teste da Orelhinha :

 

 Porque meu bebê deve fazer um teste de audição?

A boa audição é essencial para o desenvolvimento normal da fala.

Aproximadamente 4 a 6 bebês em cada 1.000 nascimentos tem alguma perda de audição,

os primeiros 6 meses de vida são os mais importantes para proporcionar ao bebê o máximo desenvolvimento de fala.

Infelizmente hoje, no Brasil, problemas de audição são diagnosticados apenas por volta de 2 anos e meio, quando o atraso no desenvolvimento de linguagem já é evidente.

Alguns pais acreditam que se o bebê tivesse uma perda de audição eles perceberiam, não é sempre assim, na realidade a perda de audição, na maioria das vezes, não é notada até que a criança mostre sérios atrasos na fala, assim o bebê perde um tempo precioso para o desenvolvimento e é por isso que o teste auditivo é tão importante.

Alguns bebês podem precisar de um retorno devido a presença secreção no ouvido, quando o bebê não passa no retorno, inicia-se então o processo de diagnóstico da severidade e da causa do problema auditivo.

 
O Puerpério


 

É o período que vem imediatamente após o parto, saiba que inúmeras modificações acorrem em seu organismo: o útero precisa voltar ao seu tamanho normal, e os outros órgãos tem que se acomodar, todos os dias o seu útero diminui cerca de 1,5 a 2 cm. Existe um pequeno sangramento que é normal devido à cicatrização (mais ou menos 40 dias), no final deste período o corrimento passa de róseo para amarelo transparente.

O Banho da mamãe

Após ter passado o efeito da anestesia, a enfermeira vai ajudá-la no banho:

Permaneça sentada por algum tempo, antes de tentar se levantar, podem ocorrer tonturas e mal estar;

Você pode lavar sua cabeça;

Evite banhos muito quentes.

 

RECOMENDAÇÕES IMPORTANTES

 

Se o parto for cesariana, pode haver acúmulo de gases em sua barriga, procure caminhar pelo quarto com a ajuda de alguém;

Tente urinar sempre que tiver vontade;

O seu intestino fica mais lento e preguiçoso, isto é normal;

Procure tomar bastante liquido;

Caminhe na posição mais ereta possível;

Mantenha os membros inferiores elevados quando estiver em repouso;

Siga as orientações da enfermeira que estará sempre disponível para esclarecer quaisquer dúvidas.

 

O BEBÊ EM CASA

 

O Banho do Bebê

 

Para o bebê este é o momento da volta à vida intra-uterina, causando bem estar, a água morna é um relaxante muscular, higieniza a pele e com o auxilio do sabonete glicerinado diminui o atrito entre a mão e a pele do bebê, que pode então ser acariciado e massageado em cada dobrinha, sendo uma atividade prazerosa para ambos aproveite este momento.

É muito comum a mãe sentir medo de banhar o seu bebê, principalmente quando se trata da primeira experiência. Pode parecer que ele é frágil, muito mole, e se é essa a verdade quando se está seco, imagine ensaboado!!! Você perceberá que não é tão difícil assim. O seu bom senso e cuidados de ordem geral ajudarão nesta nova atividade.

Onde Devo Dar o Banho?


Escolha um ambiente calmo, sem barulho, sem corrente de ar, de temperatura agradável, ou aquecido nos dias de mais frio, prepare antes todas as roupinhas que serão utilizadas: fralda, manta, toalha e acessórios de banho, a banheira será de uso exclusivo do bebê devendo ser rigorosamente limpa e seca após o uso.

 Horário

Estabeleça o mesmo horário, todos os dias, de acordo com a rotina de seu lar, com isso você assegura disciplina, se você está acostumada a tomar banho a noite, ou duas vezes por dia, faça o mesmo com seu filho, o importante é não sair da sua rotina com o novo membro da família.



Temperatura Da Água

A temperatura da água deve ser a chamada “temperatura de conforto térmico”, ou seja, entre 36 e 37 graus, normal para nosso corpo. No inicio, poderá ser usado um termômetro para se testar a temperatura da água, depois, com a prática, a parte interna do antebraço da mãe assumirá as funções do termômetro, as mãos não devem ser usadas para esse tipo de teste, já que são naturalmente adaptadas para suportar, sem se ressentir, temperaturas mais altas ou mais baixas que aquelas suportadas pela pele das demais partes do corpo.

 
Cuidados Higiênicos do Bebê

 

- Banho Diário: água morna e sabonete neutro de preferência;

- Coto Umbilical: limpeza diária com ALCOOL 70%, manter a região seca;

- Trocar as fraldas com freqüência e limpar a região com água morna e sabonete neutro;

- NÃO usar óleos, talcos, perfumes, loções, etc.

 
Orientações Gerais

- Banho de sol diário até às 10:00h;

- Usar roupas de acordo com a temperatura, “cuidado com excesso de agasalho”;

- Consulta com pediatra em torno de 10 a 15 dias de vida;

- Encaminhar para o Posto de Vacinação após 1º semana de vida.

 

O Que Fazer Com O Aleitamento Após O Retorno Da Mamãe Para O Trabalho?

A retirada do leite materno será necessária quando houver qualquer motivo que leve a mãe a ficar longe de seu bebê, como por exemplo, o retorno ao trabalho.

Lavar as mãos antes de iniciar;

Separe um recipiente limpo;

Preparar a mama realizando massagem circular com as mãos, da raiz da mama para a extremidade;

Após a retirada rotule cada frasco e guarde em local adequado.

 

Conservação

 

Em temperatura ambiente: 40 minutos

Refrigerador: 48 horas

Congelador: 3 meses

Freezer: 1 ano.

 

Utilizando o Leite Congelado:

Descongele lentamente;

Agite o recipiente em água quente (tipo “banho Maria”);

Nunca ferva o leite e nem utilize microondas;

Após descongelado, utilize-o dentro de 24 horas;

Nunca congele novamente o que sobrou;

Ofereça para o bebê em colher, copinho ou xícara.




CALENDÁRIO VACINAL (Ideal)

Calendário Oficial com Vacinas Combinadas


Idade
Vacinas
Ao nascer
Hepatite B, BCG
1 mês
Hepatite B
2 meses
Tríplice, Sabin, Haemophilus tipo B, Rotavírus
4 meses
Tríplice, Sabin, Haemophilus tipo B, Rotavírus
6 meses
Hepatite B, Tríplice, Sabin, Haemophilus tipo B
9 meses
Febre amarela
12 meses
MMR (Sarampo, caxumba e rubéola)
15 meses
Tríplice, Sabin, Haemophilus tipo B
5 anos
Tríplice, Sabin e MMR

 
Calendário Complementar


Idade
Vacinas
2 meses
Prevenar (pneumocócica conjugada)
3 meses
Meningite C (meningocócica conjugada)
4 meses
Prevenar (pneumocócica conjugada)
5 meses
Meningite C (meningocócica conjugada)
6 meses
Prevenar (pneumocócica conjugada) e gripe
7 meses
Meningite C (meningocócica conjugada) e gripe
12 meses
Hepatite A, Varicela
18 meses
Hepatite A, Prevenar (pneumocócica conjugada)

 

 Referências Bibliográficas

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4.        GRAVIDEZ E EXERCÍCIO FÍSICO Mitos, Evidências e Recomendações.

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6.       CONHECIMENTO ACERCA DA FAMÍLIA DO PAI ADOLESCENTEOBSERVADO POR MEIO DO GENOGRAMA. Telma Elisa Carraro, Sonia Maria Könzgen Meincke, Neusa Colle, Bárbara Cristina Tavares, Silvana Silveira Kempfer.

7.       Ações educativas no pré-natal: reflexão sobre a consulta de enfermagem como um espaço para educação em saúde. Claudia Teresa Frias Rios; Neiva Francenely Cunha Vieira, Universidade Federal do Maranhão. Rua Viana Vaz 230, Centro. 65020-660 São Luís MA.ctfrios@hotmail.com Universidade Federal do Ceará.

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11.   SAÚDE BUCAL MATERNO-INFANTIL: UM ESTUDO DE REPRESENTAÇÕES SOCIAIS COM GESTANTES. Mirelle Finkler, Denise Maria Belliard Oleiniski, Flávia Regina Souza Ramos. Texto Contexto Enferm 2004 Jul-Set; 13(3):360-8.


12.   Curso de orientação à gestação: repercussões nos pais que vivenciam o primeiro ciclo gravídico. Márcia Regina Cordeiro Santos Hanny Zellerkraut; Laércio Ruela de Oliveira. 2000.